Utopia ou barbárie

Utopia ou barbárie

Mais uma semana difícil para quem sonha. No mesmo final de semana da reunião
do G7, ocorre na América Latina o não reconhecimento do Vitória eleitoral no Peru,
o assassinato do presidente do Haiti e a deflagração de protestos em Cuba.
O único papo nas esquinas, o grande tesão do liberal é comentar a situação de
Cuba. Não vou escrever aqui sobre Cuba, erros e acertos da revolução, toda a
ignorância e propaganda depreciativa que é feita da ilha. Nem vou comparar a
permanência da família por anos no poder e no mesmo partido, afinal precisaria da
família Covas ou o PSDB em SP. (sem falar nas famílias reais que são motivo de
adoração até hoje na mídia)
Quero falar hoje é do baixo astral que toma conta do Brasil de Bolsonaro. O maior
efeito destrutivo que sinto é a incapacidade de sonhar nesses tempos, não há clima
de pequenas vitórias ou planos de longo prazo, não há apaziguamento com cerveja
gelada e churrasco com queridos. E não é só por causa do isolamento e pandemia.
É por questão financeira e violência mesmo. São os pronunciamentos vorazes da
máquina de ódio que se apossou da cadeira da presidência. É a disposição única de
governar pela bile e fazer questão de atacar tudo diferente do homem branco, cis,
heterossexual e com bens.
O que nos leva a uma moda de distopias ultimamente (também não serei o
palestrinha de 1984 e George Orwell). Os super-heróis são personagens infantis
que hoje seguem a moda do “sombrio e realista”. A primeira coisa que minha mãe
veio me perguntar quando soube que teria um filme do Bátima versus Superômi é
por quê eles iriam brigar se eles sempre foram amigos.
Uma das distopias mais famosas ressurgidas recentemente é “o Conto de Aia”,
antecipada com a eleição de Trump, que hoje é uma série sobre assistir violências.
Não vou nem comentar sobre a série ser sobre mulheres brancas e o tratamento
aos personagens pretos, criados pra série serem mais racistas do que se tivessem
sido ignorados como a obra literária. Eu quero falar do sangue, das torturas físicas e
psicológicas que são um “atrativo” na série. Não estamos falando dos nossos
sofrimentos, estamos explorando a capacidade dos expectadores sofrerem, se
frustrarem e somatizarem dores.
Faltam utopias nos nossos tempos, falta poesia. Se uma vez já curti uma vitória do
meu país no futebol, hoje eu fico é revoltado com as declarações mimadas das
estrelas fora de campo. E não há poesia dentro de campo. Se um dia um jogador já
vingou minhas frustrações marcando gols, hoje o Neymar ofende seus compatriotas
como o amigo dele genocida também faz.
Onde eu ainda consigo fugir da Barbárie são nos livros, no quintal de vó e algumas
esquinas / mesas de bar (seguindo todos os protocolos…)
Precisamos voltar nas histórias de lutas, vitórias e independências do colonialismo
imperialista, para lembrar que não existe só a desgraça econômica que vivemos.
Ler não só a história de Cuba, mas a tradição religiosa Ifá Lucumí da terrinha e do
Brasil, para sempre ter na ponta da língua as diferentes cosmogonias, criações de
universo e manifestações que não passam pela acumulação de dinheiro ou à culpa
judaico-cristã. Ler quadrinhos dos orixás nos traços clássicos kirbianos, e ver menos
filmes para adultos babões ansiosos pelo monopólio da violência de homens
brancos justiceiros contra as demais pessoas. Precisamos ler poesias! Lembrar do
porquê estarmos vivendo tantas publicações recentes de mulheres escritoras. De
Lorde a nossa rainha Conceição. Fundamental a gente guardar a camisa amarela
um pouco no armário e voltar a gostar de futebol que é feito nas ruas, nas pequenas
histórias, nos gols que fazemos e nos emocionamos, voltarmos a ser protagonistas
das histórias, quero te contar um gol que só eu vi e não o gol dessas competições
de jogadores metidos a besta.
Eu quero utopias! Até porque já li muitas ficções científicas e distopias, aquelas que
a gente simula um futuro pra criticar o presente. Entretanto eu vivi uma distopia no
golpe de 2016 e a distopia piorou em 2018. E eu escrevo do lado de cá do Rio. No
qual a pior distopia de uma pessoa branca da zona sul é a maior Utopia dos pretos
da Maré. Vou me refugiar nos versos de samba e nas histórias do subúrbio. Nossa
sobrevivência é vitória, mas queremos mais! Vamos conquistar mais, estamos no
corner apanhando, mas a luta não acabou.
Uma frase anônima conta: “é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do
capitalismo”. Não pra quem leu Ailton Krenak, não pra quem leu Nei Lopes.
Pessimismo em mim não pega. Barbárie não é uma alternativa

Mais uma semana difícil para quem sonha. No mesmo final de semana da reunião
do G7, ocorre na América Latina o não reconhecimento do Vitória eleitoral no Peru,
o assassinato do presidente do Haiti e a deflagração de protestos em Cuba.
O único papo nas esquinas, o grande tesão do liberal é comentar a situação de
Cuba. Não vou escrever aqui sobre Cuba, erros e acertos da revolução, toda a
ignorância e propaganda depreciativa que é feita da ilha. Nem vou comparar a
permanência da família por anos no poder e no mesmo partido, afinal precisaria da
família Covas ou o PSDB em SP. (sem falar nas famílias reais que são motivo de
adoração até hoje na mídia)
Quero falar hoje é do baixo astral que toma conta do Brasil de Bolsonaro. O maior
efeito destrutivo que sinto é a incapacidade de sonhar nesses tempos, não há clima
de pequenas vitórias ou planos de longo prazo, não há apaziguamento com cerveja
gelada e churrasco com queridos. E não é só por causa do isolamento e pandemia.
É por questão financeira e violência mesmo. São os pronunciamentos vorazes da
máquina de ódio que se apossou da cadeira da presidência. É a disposição única de
governar pela bile e fazer questão de atacar tudo diferente do homem branco, cis,
heterossexual e com bens.
O que nos leva a uma moda de distopias ultimamente (também não serei o
palestrinha de 1984 e George Orwell). Os super-heróis são personagens infantis
que hoje seguem a moda do “sombrio e realista”. A primeira coisa que minha mãe
veio me perguntar quando soube que teria um filme do Bátima versus Superômi é
por quê eles iriam brigar se eles sempre foram amigos.
Uma das distopias mais famosas ressurgidas recentemente é “o Conto de Aia”,
antecipada com a eleição de Trump, que hoje é uma série sobre assistir violências.
Não vou nem comentar sobre a série ser sobre mulheres brancas e o tratamento
aos personagens pretos, criados pra série serem mais racistas do que se tivessem
sido ignorados como a obra literária. Eu quero falar do sangue, das torturas físicas e
psicológicas que são um “atrativo” na série. Não estamos falando dos nossos
sofrimentos, estamos explorando a capacidade dos expectadores sofrerem, se
frustrarem e somatizarem dores.
Faltam utopias nos nossos tempos, falta poesia. Se uma vez já curti uma vitória do
meu país no futebol, hoje eu fico é revoltado com as declarações mimadas das
estrelas fora de campo. E não há poesia dentro de campo. Se um dia um jogador já
vingou minhas frustrações marcando gols, hoje o Neymar ofende seus compatriotas
como o amigo dele genocida também faz.
Onde eu ainda consigo fugir da Barbárie são nos livros, no quintal de vó e algumas
esquinas / mesas de bar (seguindo todos os protocolos…)
Precisamos voltar nas histórias de lutas, vitórias e independências do colonialismo
imperialista, para lembrar que não existe só a desgraça econômica que vivemos.
Ler não só a história de Cuba, mas a tradição religiosa Ifá Lucumí da terrinha e do
Brasil, para sempre ter na ponta da língua as diferentes cosmogonias, criações de
universo e manifestações que não passam pela acumulação de dinheiro ou à culpa
judaico-cristã. Ler quadrinhos dos orixás nos traços clássicos kirbianos, e ver menos
filmes para adultos babões ansiosos pelo monopólio da violência de homens
brancos justiceiros contra as demais pessoas. Precisamos ler poesias! Lembrar do
porquê estarmos vivendo tantas publicações recentes de mulheres escritoras. De
Lorde a nossa rainha Conceição. Fundamental a gente guardar a camisa amarela
um pouco no armário e voltar a gostar de futebol que é feito nas ruas, nas pequenas
histórias, nos gols que fazemos e nos emocionamos, voltarmos a ser protagonistas
das histórias, quero te contar um gol que só eu vi e não o gol dessas competições
de jogadores metidos a besta.
Eu quero utopias! Até porque já li muitas ficções científicas e distopias, aquelas que
a gente simula um futuro pra criticar o presente. Entretanto eu vivi uma distopia no
golpe de 2016 e a distopia piorou em 2018. E eu escrevo do lado de cá do Rio. No
qual a pior distopia de uma pessoa branca da zona sul é a maior Utopia dos pretos
da Maré. Vou me refugiar nos versos de samba e nas histórias do subúrbio. Nossa
sobrevivência é vitória, mas queremos mais! Vamos conquistar mais, estamos no
corner apanhando, mas a luta não acabou.
Uma frase anônima conta: “é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do
capitalismo”. Não pra quem leu Ailton Krenak, não pra quem leu Nei Lopes.
Pessimismo em mim não pega. Barbárie não é uma alternativa

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